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| Iluminação circadiana. (imagem: Chromaviso) |
É sabido por nós arquitetos a importância da iluminação, particularmente
a iluminação natural, nos ambientes habitados. Em se tratando de ambientes de
saúde, o Design Baseado em Evidências nos comprova seus benefícios no processo
de cura do paciente, recuperação da saúde de forma mais rápida, dor amenizada
e, de certa forma, é assertivo dizer que há uma sensação geral de bem-estar
quando o paciente tem acesso à luz do dia.
É certo que a maioria das pessoas sente-se mais feliz em seus dias ensolarados do que em dias nublados. Além disso, há também uma maior sensação de segurança durante o dia, e em locais iluminados, do que à noite e em locais mal iluminados. Fato é que, nós tememos o que não podemos ver. O contraste é até mesmo alegórico: a bondade está associada à luz, enquanto alguém chamado O Príncipe das Trevas é certamente mau.
A luz é importante para todas as pessoas, ela auxilia na regulação do
nosso relógio corporal, afetando processos químicos em nosso cérebro e apoiando
um metabolismo saudável.
Então perguntamos. Em que, a ausência de luz pode nos auxiliar? Acontece que a escuridão é tão importante quanto a luz, e sua existência pode nos ser também saudável. Somente na escuridão certas funções corporais ocorrerão.
Os nervos ópticos dos nossos olhos sentem a luz, mesmo em pessoas com deficiência visual, dizem especialistas. Ainda que sem receptores visuais, quando a luz é percebida, um sinal é enviado ao cérebro de que é hora de acordar. Os níveis de cortisol aumentam, a produção de melatonina diminui e nossos corpos se preparam para o despertar. Acontecendo isso à noite - quando deveríamos estar dormindo - perdemos alguns dos benefícios restauradores do sono. Pesquisas feitas mostraram que isso pode ter efeitos deletérios sobre os níveis de gordura corporal, inflamação sistêmica e resistência à insulina. A melatonina, que é produzida quando está escuro, reduz a pressão arterial, a temperatura corporal e os níveis de glicose. A luz à noite interrompe os ciclos normais dos nossos corpos e tem um efeito negativo na nossa saúde. Portanto, deveríamos estar dormindo na escuridão total.
Nos Estados Unidos da América, os Centros de Serviços Medicare e Medicaid parecem reconhecer a importância do bem-estar do paciente ao incluir um item na pesquisa HCAHPS (Hospital Consumer Assessment of Healthcare Providers and Systems), onde pergunta aos pacientes com que frequência a área em torno de seu quarto era silenciosa à noite. Em parte devido a essa questão, os arquitetos estão elaborando mais maneiras de tornar os quartos dos pacientes mais silenciosos. No entanto, não há nenhuma pergunta na pesquisa do HCAHPS sobre se o seu quarto estava escuro à noite.
Pense em todas as fontes de luz indesejadas à noite que podem estar presentes em um quarto de pacientes, como: monitores e outros dispositivos médicos; luz advinda do corredor e/ou luz externa; e luz de aparelhos em stand-by. Como nós, arquitetos, podemos projetar maneiras eficientes de escurecer os quartos dos pacientes para o período noturno? A exitosa recuperação dos pacientes pode depender disso.



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