O HOSPITAL DO FUTURO - parte II

Patient Room 2020

por Marlu Alves

Patient Room 2020 / imagem: NXT Health
                                                                            
Idealizado e criado por pesquisadores da Escola de Arquitetura da Universidade de Clemson, Carolina do Sul (EUA), com a organização sem fins lucrativos direcionada a inovação em saúde, NXT Health, o projeto é o resultado de sete anos de pesquisa, a partir de considerações de médicos, enfermeiros e pacientes, tendo ele sido apoiado pelo Departamento de Defesa do governo americano.
Um dos principais objetivos do Patient Room 2020 é integrar tecnologia, instrumentos para o cuidado da saúde e conforto. O conceito principal do projeto, resumidamente, é o de garantir conforto ao paciente, como também assegurar que sua saúde seja o foco principal de atenção, bem como, que os profissionais tenham as melhores condições para prestar os cuidados à saúde. Ao acompanhante, é reservado espaço para descanso ou para o trabalho.

Nos últimos anos a área do design da saúdeo se pautou na tendência de privilegiar o bem-estar e a tranquilidade do paciente, assim foram desenvolvidas alguns detalhes arquitetônicos, como amplas janelas, áreas verdes, painéis de madeira e paredes pintadas com cores variadas, por exemplo. O design tinha por objetivo a tentativa de, utilizar esses recursos, para que o paciente tivesse a sensação de estar em casa ou mesmo em um hotel – e não em um hospital. Dessa maneira, tentou-se garantir ao paciente, que ele tivesse um mínimo de conforto emocional no período em que se encontra fragilizado.
No Patient Room 2020 não se pauta por esses conceitos, não objetiva criar um ambiente “falso”, e sim, tem por objetivo criar um ambiente que represente o cuidado com a saúde. Alguns conceitos abordados é não desvincular o hospital de suas funções, mas, ao mesmo tempo, ser menos “frio” e “estéril”. O projeto é identificado nas formas, nos recursos tecnológicos e nas cores adotadas, como a própria utilização intensa do branco. Os materiais lisos sem ranhuras, facilitando a limpeza e dificultando o acúmulo de germes.

Patient Room 2020 - protótipo / Nova York / imagem: NXT Health
  
Descrevendo um pouco o quarto, tem-se logo ao entrar, um nicho que fica a disposição do profissonal de saúde, pensado para elevar a proteção ao paciente. Ao chegar nessa área, uma luz vermelha acende para lembrar ao profissional que ele deverá lavar as mãos, sendo apagada somente quando a desinfecção estiver completa. Logo após, acende-se uma lâmpada verde.
Uma estrutura em volta da cama, chamada de ribbon patient, concentra vários dispositivos. É por essa estrutura que o paciente poderá ter o controle de luzes, som e a temperatura do ambiente. Sinais vitais são monitorados por outro equipamento também alojado nessa mesma estrutura. O objetivo é dar autonomia e conforto ao paciente e a seu familiar, bem como auxiliar o trabalho profissional da equipe de saúde. Importante também é o espaço destinado para ao acompanhante, composto também por facilidades que permitem o uso do computador de forma mais confortável.
Há também a apropriação intensa dos avanços tecnológicos e de sua interação no monitoramento e comunicação. A frente do paciente, uma tela digital plana monitora seus sinais vitais. As portas de smart glass possuem alertas digitais para evitar perigos ao paciente, como possíveis fontes de alergia, restrições alimentares e outras condições especiais. Dispositivos multimídia para comunicação entre visitantes e médicos, e também, cestas de lixo com sensores eletrônicos que avisam para o recolhimento dos resíduos.

O Patient Room 2020 não é um projeto necessariamente prescritivo ou destinado a adoção por atacado, nem seus conceitos levados ao pé da letra. Em vez disso, apelidado de "campo de provas", no Patient Room 2020 aplicam-se conceitos que, ao serem traduzidos, deverão ser pesquisados para ajudar a moldar os projetos vindouros.

O Patient Room 2020 alcançou a finalidade de obter a atenção das pessoas. Não houve unanimidade, uns gostaram outros odiaram, porém, o que com certeza ocorreu foi chamar atenção de arquitetos, designers e profissionais da saúde para o cuidado com o paciente e suas interfaces, consolidando uma ação pró-ativa e inovadora.

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Marlu Alves, é arquiteta, idealizadora do projeto Hospital: Uma Experiência Lúdica, que utiliza a arte para fins terapêuticos no ambiente hospitalar, É graduada pela Universidade Federal Fluminense, especialista em Arquitetura de Sistemas de Saúde pela UFBA, e autora do livro infantil O Quarteto Aventureiro. Como atividade principal, desenvolve projetos de arquitetura destinados à área da saúde, se dedica ao estudo da influência do design na recuperação e melhora da saúde do paciente, e a utilização do lúdico no bem estar do paciente pediátrico. 
contato: mahd.arquitetura@gmail.com

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