A Arquitetura no Planejamento Hospitalar

por Marlu Alves

Hospital Sarah Kubitschek - Barra da Tijuca/RJ
arquiteto João Figueiras Lima, Lelé

Nas últimas décadas houve o surgimento de novos conceitos para o desenho de Estabelecimentos de Assistência à Saúde – EAS, para tanto neste sentido pode-se citar o Pacient Centered Design, como uma nova forma de se pensar Arquitetura de espaços destinados à assistência a saúde, incorporando a visão do paciente, trazendo consigo seus signos e valores, integrando os avanços tecnológicos ao ambiente onde se configura a identidade na escala humana, e onde o usuário seja o centro do atendimento, impondo o senso de humanismo. Estes novos conceitos preconizam, além da cura dos males físicos, um suporte emocional para o tempo de internação hospitalar, onde a concepção e desenho dos espaços tenham um impacto positivo na duração da internação e na qualidade de vida durante o tempo de permanência na instituição de saúde. O chamado Patient Centered Care surgiu com a organização sem fins lucrativos Planetree, fundada em 1978, por Angelica Thieriot.

Além dos novos conceitos da arquitetura em EAS, há de se ter em mente a complexidade imposta pelos edifícios de saúde. Jarbas Karman, arquiteto precusor da arquitetura hospitalar brasileira, seus textos descrevem que, como as cidades, as instituições de saúde são formadas por ruas, praças, jardins, área de lazer, estacionamento, garagem, escola (de enfermagem e medicina, por exemplo), auditório, lavanderia, farmácia, almoxarifado, creche, lanchonete, restaurante, consultório médico e dentário, central energética, arquivo, escritórios, engenharia, central de informática e telefonia, banco, vestiários, capela, oficina de manutenção e outros setores, cada qual com suas peculiaridades, necessidades e atribuições próprias.

Os hospitais, segundo Celestino (2002), por suas inúmeras atividades são um dos organismos mais complexos de serem administrados. Neles estão reunidos vários serviços e situações simultâneos, além dos acima citados, está uma complexa administração hoteleira. Portanto, a utilização de inúmeras leis, normas e regulamentos, vindas de diversos órgãos e instituições se farão necessárias.

Assim sendo, esses serviços deverão ser agrupados em unidades as quais irão se inter relacionar através de uma complicada teia gerando trânsito de pessoas, materiais e variados meios de transporte, justificando seu estudo como um verdadeiro sistema viário. Tal qual um sistema viário urbano, o sistema viário hospitalar constitui-se de uma malha básica de circulações, hierarquizadas conforme suas finalidades e importâncias. As margens deste sistema viário se estabelecem unidades, tal qual os lotes urbanos, dimensionadas proporcionalmente às atividades que ali deverão ser abrigadas.

Portanto, desenvolver o planejamento arquitetônico deve-se pensar em fatores como o fluxo, a setorização, a circulação e a flexibilidade. E sobre flexibilidade, este é um dos fatores que compromete a qualidade e eficacia do projeto para EAS. Este conceito, o da flexibilidade, tem como objetivo, o poder de realizar modificações, internas e externas, sem agredir a concepção arquitetônica original e sem comprometer os fatores de fluxo, setorização e circulação. O ciclo de vida de um hospital deve ser intimamente relacionado às necessidades e expectativas, bem como a satisfação dos usuários e funcionários, devendo ser adaptável as possíveis mudanças a serem incorporadas no projeto arquitetônico.

Pode-se observar então que a Arquitetura Hospitalar é fator fundamental para atingir a qualidade dos serviços hospitalares. E a busca obstinada pela qualidade, é um dos fatores que as instituições em saúde, tanto particulares ou públicas, buscam para atender as exigências nos contratos de atendimento ao usuário, bem como, atendendo aos requisitos dos vários programas de acreditação e certificação da qualidade. E por assim ser tão complexo e desafiador o planejamento de um EAS, faz-se necessária a participação de um corpo multidisciplinar, além do seu idealizador, o arquiteto, também engenheiros, médicos, enfermeiros, economistas, administradores etc.

A arquitetura deve atender a dimensões físicas e dimensões psicológicas; à humanização e ao bem estar e bem sentir do paciente, da sua família, dos funcionários e usuários. Neste contexto, em caso de reformas e/ou de construções novas, todo o investimento realizado para a melhoria das instalações físicas do hospital tem que ser encarado com seriedade e parcimônia, para que os poucos recursos disponíveis possam ser aplicados maximizando os resultados em relação à qualidade de serviços e de sua vida útil.


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Marlu Alves, é arquiteta, idealizadora do projeto Hospital: Uma Experiência Lúdica, que utiliza a arte para fins terapêuticos no ambiente hospitalar, É graduada pela Universidade Federal Fluminense, especialista em Arquitetura de Sistemas de Saúde pela UFBA, e autora do livro infantil O Quarteto Aventureiro. Como atividade principal, desenvolve projetos de arquitetura destinados à área da saúde, se dedica ao estudo da influência do design na recuperação e melhora da saúde do paciente, e a utilização do lúdico no bem estar do paciente pediátrico.
contato: mahd.arquitetura@gmail.com